Viver como se a saudade tivesse pressa
- Enzo Minhoto

- 9 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Viver como se a saudade tivesse pressa. Quando escutei essa frase, a primeira coisa que me surgiu à mente foi: será que vivemos como se a saudade tivesse pressa? Porque, afinal, o que seria vivermos deste modo? Podemos pensar como se cada palavra-chave fosse, separadamente, uma peça de um quebra-cabeça (puzzle piece), que, se juntarmos, tudo fará sentido.
Por exemplo, a palavra “viver” significa aproveitar a vida, viver intensamente, porque estar vivo não é a mesma coisa que viver de fato. Já “saudade” é aquele sentimento positivo da falta, porque, aliás, ninguém sentiria falta de algo que foi ruim, não é mesmo? Eu, sinceramente, não sinto nenhuma saudade dos meus exames de matemática ou trigonometria no ensino secundário no Brasil, diferente de uma viagem marcante que fiz com a minha família. A saudade é quando algo que um dia foi bom não existe mais, e o que nos resta é apenas aquela memória passada do que um dia existiu.
Por último, a palavra “pressa” significa algo urgente, algo que não podemos esperar. Quando você está com pressa de algo, certamente fará de tudo para priorizar aquilo e realizar o quanto antes. Então, se juntarmos todas essas palavras que formam um quebra-cabeça, entendo a frase, segundo a minha interpretação, de que devemos viver a vida de uma forma tão boa e intensa, cheia de momentos marcantes, que a saudade mal pode esperar para aparecer. Ela tem pressa, porque a forma como você vive é tão gostosa, tão boa, genuína e tão intensa à sua maneira, que os momentos que você está vivendo já querem ser relembrados com carinho e amor pela saudade. Porque, como havia falado, a saudade é um sentimento bom.
E quando eu digo “viver de forma intensa”, não significa que você deva pular de paraquedas todos os dias, fazer bungee jump ou dirigir um carro de Fórmula 1 a 200 km/h. Viver intensamente pode ser simplesmente experimentar uma comida diferente, ir a um lugar novo, falar com uma nova pessoa ou usar algo que você comprou, mas nunca usou, porque sempre esperava o momento perfeito. Com essa frase tão pequena, mas tão profunda, percebo o quanto tudo em nossa vida é passageiro e que o momento presente é tudo o que temos. O passado já passou. O futuro ainda virá. E ele só existirá a partir de nossas ações no aqui e no agora.
Portanto, não deixe para depois o que você pode fazer hoje: ame como quer amar, diga o que quer dizer, faça o que quer fazer e faça o presente valer a pena. Porque a saudade tem pressa de participar dessa intensidade. Transforme a pressa em ação e a ação em um sentimento bom, não negativo bom no sentido de transformá-la em afeto, carinho e amor, e não em arrependimento. No arrependimento de ter feito ou de nunca ter feito, embora eu prefira o arrependimento de ter feito do que o famoso “e se”.
Como diria a sabedoria popular, “águas passadas não movem moinhos”. As águas que se passarem e forem boas, relembre com afeto; e as que não forem, entenda que essas não movem mais os moinhos da vida. Os moinhos só funcionam com as águas que estão correndo no agora e não com as que passaram. As que passaram servem para olharmos com sabedoria e sabermos o que faremos com as novas águas que surgem. E o lado bom é que as águas que estão movimentando o moinho neste momento você pode controlar.
Ou seja, o moinho nos ensina que a vida é feita de movimento e transformação. O que importa não é a água que passou, mas a energia que nos move no presente. E a energia que nos move está em viver o agora, em vivermos o momento como se a saudade tivesse pressa.





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